Cuidado com as crianças!
Imprimir E-mail
Os perigos da internet não se limitam ao mundo adulto. As crianças se tornam alvos fáceis de crápulas mal intencionados, que usam da ingenuidade infantil para cometer os mais diversos delitos, do roubo e sequestro até atos de pedofilia. E a preocupação se mostra ainda mais justificada quando vemos os números da pesquisa divulgada em março pela ONG Safernet.

Cerca de 53% de internautas menores de idade já tiveram acesso a conteúdo impróprio para sua faixa etária. Além disso, 87% dos usuários não têm quaisquer restrições quanto ao acesso, sendo que 64% têm computador com internet no próprio quarto e 27% já tiveram encontros pessoais com amigos que conheceram em bate-papos.

Diante desse quadro, é estarrecedor saber que 72% dos internautas menores de idade expõem na web informações pessoais e fotos da família no Orkut ou através do Messenger ou de e-mail.

Soluções de segurança

As empresas de segurança na web estão de olho nessa nova onda contra crianças e já existem diversas opções de aplicativos com esse objetivo específico. É o caso do Spector Pro, lançado no Brasil pela Esy World, a mesma responsável pelo antivírus Kaspersky, e também das soluções da Symantec (Norton) e BitDefender.

“É fundamental manter a vigilância nesta época, já que o anonimato oferecido pela internet torna mais fácil a invasão dos lares alheios por pedófilos, falsários e estelionatários. Muitos pais imaginam que seus filhos estão mais seguros por estarem dentro de casa, mas acabam se esquecendo dos perigos que a internet oferece”, defende Camila Bonfim (foto), gerente de produtos da Esy World. “O Spector Pro proporciona uma solução de monitoramento inteligente. Entre suas funcionalidades está a gravação de sites visitados, recebimento e envio de e-mails, bate-papo e mensagens instantâneas, transferência de arquivos, impressão de documentos e execução de aplicativos.”

“É essencial a utilização de soluções de segurança originais, confiáveis e atualizadas”, defende Bruno Rossini, gerente de relações públicas para America Latina da Symantec. “Nossa solução de controle para os pais compreende perfis de navegação para adultos, adolescentes e crianças protegidos por senha.”

A BitDefender também revela preocupação com os pais em suas soluções. “Para nós, o problema tem dois lados: a defesa do sistema e a educação do usuário. Cerca de 85% de nosso uso diário do computador é na internet, tornando a todos alvos fáceis de vírus, ladrões de senhas, keyloggers, phisihing e spammers. Isso sem contar em páginas que incentivam condutas pouco éticas, como os plágios, por exemplo”, diz Vitor Souza, gerente de comunicação global da BitDefender. “Por conta disso, nossos aplicativos possuem uma preocupação especial com controle dos pais sobre o que seus filhos acessam, restringindo páginas, filtrando conteúdo e até bloqueando aplicações específicas.”

Trocando a TV pela internet

A grande explosão do problema se deve ao simples fatode que as crianças estão se conectando cada vez mais cedo à internet. “Elas abrem mão de assistir televisão ou brincar com os amigos para navegar na internet. Por conta desse tipo de atitude, muitas vêm se tornando pouco sociáveis e muito sedentárias”, lamenta Bonfim.

“As crianças brasileiras ficam uma média de 70 horas conectadas por mês. Esse número é bem alto, principalmente se comparado à média mundial de 39 horas mensais. Além disso, as crianças brasileiras são as que mais socializam na rede, passando cerca de 13 horas por semana, enquanto a média mundial é de 5 horas”, informa Rossini.

“As crianças de agora estão muito mais expostas do que há 10 anos. Os computadores estão cada vez mais baratos, tornaram-se eletrodomésticos das residências, e as conexões de banda larga estão cada vez mais rápidas. Isso tudo mudou nossa rotina, nosso comportamento diário se baseia em checar e-mails, visitar uma rede social, fuçar uma loja online e falar com amigos no Messenger”, lembra Souza. “Se considerarmos que, somando o uso em casa e no trabalho, os usuários passam em média 10 horas diárias em frente ao PC, é inevitável que as crianças acabem começando a usá-lo cada vez mais cedo.”

Educação e muita conversa

Diante de um quadro tão sombrio, a preocupação dos pais deve ser redobrada. “Apenas monitorar de longe não causa mais nenhum impacto ou oferece nenhuma informação aos pais. Por isso, a Symantec recomenda que os pais participem da vida virtual dos filhos da mesma forma que se deve estar presente na vida real – entrar em comunidades, saber com quem os filhos conversam quando estão conectados, fazer parte da lista do programa de mensagem instantânea entre outras ações”, orienta Rossini (foto). “Eles devem também estabelecer regras realistas de utilização da internet, que devem ser discutidas e negociadas com própria criança. Conversar e orientar os filhos também é importantíssimo para que não falem com os estranhos.”

“Para evitar transtornos, é importante que os pais conheçam as ferramentas que os filhos utilizam, como Messenger, Orkut, e-mail. Outra dica importante é acessar a web junto à criança ou adolescente, monitorando o conteúdo e restringindo certos sites através de ferramentas disponíveis nos principais browsers do mercado”, diz Bonfim.

“Os pais de crianças de até sete anos devem dar atenção especial aos jogos infantis online. Em muitos deles, a regra faz com que a criança compre comidinhas e roupas para o os personagens. Em geral, esses jogos pedem o número de um cartão de crédito, e para se configurar uma compra, basta a criança saber preencher os números nos campos pedidos e saber do pai a data de validade do cartão, o que não é nada impossível”, alerta Alexandre Ichiro Hashimoto, coordenador do Curso de Sistemas de Informação das Faculdades Integradas Rio Branco, de São Paulo.

“O bate-papo on line também mostra a necessidade de o responsável pela criança estar por perto durante o tempo em que o menor joga. Afinal, nunca há como saber quem é o parceiro de seu filho naquele momento do game. Estabelecer tempo de uso do jogo também é uma boa alternativa”, completa.

A família na nuvem

Uma novidade que vem da Symantec é a segurança na nuvem. Trata-se do Norton Online Family, que está em fase final de desenvolvimento. “Essa solução é fruto do trabalho do Norton Labs, nossa incubadora de projetos e ideias. Ela oferece a oportunidade de os pais sentarem e conversarem com seus filhos sobre essas atividades, como buscas, mensagem instantânea, navegação por websites, redes sociais e outras atividades. A idéia é promover entre eles a discussão para determinar quais regras seriam impostas à navegação, criando assim um elo que facilitaria a troca de informações entre pais e filhos, além de facilitar o cumprimento de tais regras”, explica Rossini.

A solução na nuvem da Symantec ainda não tem data de chegar ao mercado, mas os pais devem se preocupar imediatamente com a segurança dos filhos, seja instalando soluções profissionais, seja monitorando a navegação. Acima de tudo, porém, devem investir em educação e muita, muita conversa.